“Mas tem dias em que nada faz sentido, e os sinais que me ligam ao mundo, se desligam” Já dizia Frejat. Acho que todos passam por isso algumas vezes durante a vida. Passei por isso algumas vezes e mais recentemente essa semana. Às vezes simplesmente não sei o que fazer, às vezes não tem quem me escute, às vezes não tenho perspectivas. Às vezes eu… eu é o problema. Quer dizer, eu sou o problema. Mas não é culpa minha, nasci assim. Olhando sempre pro meu imbigo. Não estou muito preocupado com o dos outros, talvez com o de pessoas próximas, que amo declaradamente. Mas nesse momento, nem elas importam. O que me dói é que eu não tem esperança nesses momentos. Eu é que parece não ter jeito.
Calma, não estou esquizofrênico. Explico. “Eu” é uma construção. Desde meu nome, meu comportamento e até mesmo meu código genético. Tudo construído. Mas porque parece ter algo errado? Porque sofro? Porque essa construção, na maior parte do tempo, se deu alheia a minha vontade. Eu nem me dei conta e me tornei assim ou assado, mais isso ou aquilo. Nalgumas vezes reagi bem, não em todas. Talvez nem na maioria, principalmente quando depois de me tornar, eu me destorno, ou seja, passo por uma desconstrução. Quando uma construção vem pra me engrandecer, meu alheia a minha vontade, eu gosto disso, mas quando é o contrário, o apego vem da mesma forma, e eu sofro.
De fato, entender isso já alivia. Mas a motivação mesmo é descobrir que essa construção e desconstrução pode também ser por vontade nossa, e pode acontecer independente de possíveis consequências. Podemos escolher o que fazer, mas quando escolhemos independente das possíveis consequências, independente dos resultados para esse “eu”, começamos a nos liberar. Mas se fazemos escolhas que produzem felicidades para outros “eu”s, esse é o remédio.
