Este talvez seja um dos temas mais polêmicos a envolver os estudos de marketing. É fato que na sociedade hipercomplexa em que vivemos, onde estímulos surgem a todo o momento e a competição é altamente estimulada e agressiva, não parece fácil sustentar um negócio, seja em qual área for, sem uma estratégia forte de marketing, em especial a publicidade. Entretanto, a aparente dificuldade se deve uma forte alienação de capacidade de escolha na cultura da globalização. Se fosse possível, as empresas colocariam chips para controlar seus consumidores e fazê-los consumirem a todo momento. De alguma forma a lógica econômica de todas as épocas sonharam com essa situação, em especial a que vivemos, a capitalista.
Na lógica capitalista, as pessoas trabalham muitas horas e intensamente porém recebem pouco em troca. A consequência disso é que nós ficamos cada vez mais automatizados, fazendo pseudo-escolhas. Essas pseudo-escolhas se devem ao processo de cansaço mental e de aculturamento de valores do ter. Devido a nossa baixa capacidade de refletir o mundo, devido ao tempo bastante ocupado no trabalho, acabamos por responder positivamente aquele pedido feito na propaganda para trocar o carro ou comprar um sofá novo, achando que aquilo vai nos trazer felicidade. Qual não é a nossa tristeza ao saber que a euforia causada pela compra termina muito antes das parcelas!
Nesse momento, estamos novamente na linha de frente da propaganda de massa para fazermos a nossa próxima dívida e as linhas de financiamento estão sempre disponíveis.
Em resumo, as empresas criam um problema e fantasiam uma solução. Em outras palavras, as empresas se esforçam para nos deixar zumbizando pelo mundo, fazemos besteiras, a população cresce desordenadamente, os seres vivem cometendo falhas que seriam facilmente evitadas com um mínimo de reflexão e as mesmas empresas que propiciaram este ambiente, nos vendem felicidade! Depois estamos muito cansados de cuidar dos filhos exaustivamente, de comer da pior maneira alimentos gordurosos e industrializadíssimos, ou seja, cansados, doentes e na maioria das vezes com as contas no vermelho, essas mesmas empresas que nos indicaram esse caminho, nos oferecem seus produtos como soluções para todos os problemas. Retomo o resumo, as empresas com a mania de controle dos consumidores, que em nada se parecem com seres humanos, na visão delas, propiciam os problemas e oferecem falsas soluções, que retomam os problemas, enfiando as pessoas em ciclos de empobrecimento do bolso e da alma.
Creio que se o produto é bom e honesto, ou seja, respeito o cliente como uma pessoa integral, sua saúde e seu bem-estar, então ele não vai precisar de estratégias agressivas de marketing e publicidade. Se o produto respeita o homem e o mundo, se a empresa não hipervaloriza o produto em nome de altos lucros, então o produto tem tudo pra dar certo. Se a intenção é boa e saudável socialmente, não é preciso mover montanhas para vender, nem entrar em competições.
Para concluir, comportamento de consumidor é comportamento de ser humano, que deseja ser feliz. As empresas não podem se aproveitar dessa inocência e impotência.
Sejamos mais!
*Esse texto é um artigo de opinião escrito para disciplina de marketing II do curso de administração da UFPE.
