No budismo é comum ouvir três versos que soam como mandamentos. São tão genéricos que podem ser contemplados, creio, por quaisquer religiões. Os dois primeiros dizem apenas o que fazer. O terceiro apresenta o meio, como fazer.

“Não traga sofrimento aos seres…”

Nesse verso está sintetizado a ideia de não fazer nada que possa, de qualquer maneira, trazer sofrimento aos outros em qualquer nível, corpo, fala ou mente. Ou seja, não traga sofrimentos físicos, não fale com a intenção de prejudicar, ferir ou magoar. No nível mais sutil e – arrisco dizer – talvez até mais significante e sensível, não deseje qualquer sofrimento. Assim, poderemos ao menos não gerar mais carmas negativos e começar o progresso espiritual.

Outros versos do texto “os oito versos que transformam a mente” trazem essa ideia mais elaborada dando inclusive casos de uso. São eles:

“Vou prezar os seres que tem natureza perversa como se fossem um tesouro precioso, muito difícil de encontrar

Quando os outros, por inveja, maltratarem a minha pessoa, ou a insultarem e caluniarem, vou aprender a aceitar a derrota e lhes oferecer a vitória

Quando alguém a quem ajudei com grande esperança, magoar ou ferir minha pessoa, mesmo sem motivo, vou aprender a ver essa pessoa como um excelente guia espiritual”

Avançando um pouco nos três primeiros versos:

“Traga benefício aos seres”

Aqui alcançamos a compaixão. Antes havíamos evitado causar sofrimento aos seres. Quando nos damos conta do sofrimento deles e desejamos trazer benefício, surge o talo da lótus, brota a compaixão. Os oito versos também nos ajuda a entender esse princípio:

“Com a determinação de alcançar o bem supremo, em benefício de todos os seres sencientes, mais preciosos que uma jóia mágica que realiza desejos, vou prezá-los e estimá-los no mais alto grau.

Sempre que estiver na companhia de outras pessoas vou aprender a pensar em mim como sendo a mais insignificante entre elas e com todo respeito considerá-las supremas do fundo do meu coração

Em suma, vou aprender a oferecer a todos, sem exceção,  todo ajuda e felicidade, por meios diretos e indiretos, e a tomar sobre mim, em sigilo, todos os males e sofrimentos daqueles que foram minhas mães”

Aqui, além de não gerar carmas negativos, estamos gerando carmas positivos! Um saldo positivo de felicidade! Mas corremos o risco de ainda estarmos presos as condições, por isso vem o terceiro e último verso:

“Dirija a própria mente”

E pra ele temos outros dois versos dois oito:

“Em todos os meus atos, vou aprender a examinar a minha mente e sempre que surgir uma emoção negativa, pondo em risco a mim mesmo e aos outros, vou com firmeza enfrentá-la e evitá-la.

Vou aprender a manter essas práticas isentas das máculas das oito preocupações mundanas e aos reconhecer todos os fenômenos como ilusórios serei libertado da escravidão do apego”

Referências:

http://www.dalailama.org.br/ensinamentos/oito.php