Proibido comida na praia!
Na praia? Como assim??
Mas nem o queijo assado? O amendoin? O que? A cerveja também não??
E agora? O que faremos?
Farofa!!
Brincadeiras a parte, é o que nosso estado faz, farofa. Mistura tudo e bota os pés pelas mãos, o carro na frente dos bois e ainda se vira pra chicotear!
Com a proibição de comida e de garrafas de vidro na praia, são incontáveis os cidadãos que perdem seus empregos, que por mais escravizantes que fossem, ainda conseguiam trazer algum alimento pra dentro de casa, nesse país onde comer é verbo de rico e pra quem não nasceu rico, é preciso trabalhar umas 20 horas por dia pra comer um pouco de fuba de manhã e farinha a noite.
Depois ainda reclamam da violência! Sou da opinião que os governantes parecem ter titica de galinha na cabeça. Devem ter lido sobre a poluição na praia e resolveram proibir! É proibido faz coisa errada nessa terra, e quem for honesto vai ser fiscalizado!
É assim que funciona aqui, o povo não tem emprego, se vira como pode, até que o estado vem e proibe. Proibe com a intenção de remediar um problema que não fez questão de evitar. Assim como a venda de bebidas nas estradas… decisão ridícula. Eu tenho piedade de saber que alguém que tomou essa decisão acha que é o sabe tudo, detentor da verdade e do poder e tem a missão de salvar a vida das pessoas. Se acham heróis. Eu mereço… só faço escrever… devia ir lá, dizer na cara deles, o que eles fazem de errado, não é?
É a vida! Não é?
E assim vai mais uma de minhas covas, numa série de suicídios da mesma pessoa, cometidos a cada passo que dou.
Parei a dança, e cada vez que algo me lembra a dança começo a enfraquecer. Não sei pra que lado ir, to indo no automático. Um robô.
Robos não têm vida, têm? Então pra quê se preocupar…
E assim morre mais um, sem viver, nem saber que morreu!
Mas calma… a vida não acaba. Muito menos assim!
Acontece o seguinte, parei a dança pois acho ter outras prioridades no momento. Acho que preciso ter uma estabilidade financeira. Estabilidade? Será que isso me serve mesmo?
Não sei, só vou saber testando.
Mas pra testar é preciso muita dedicação e uma série de renúncias.
E se eu morrer daqui pra lá? Ficam os concursos, vão-se os concurseiros. O dinheiro fica, pra os parentes, a lembrança também…
mas lembrança de quê? De alguém que morreu tentando… passar num concurso! Heróico? Não! Hilário! Loucura ou razão?
Ah, que diálogo louco! Nem sei mas se sou eu que estou dizendo isso, estou louco?
Há algo de razoável na loucura, nada o é absolutamente, assim como o inverso e o contrário.
Mas a dança, sim, um dia… amanhã talvez… ou depois de amanhã, mês que vem, ah já sei… ANO QUE VEM! Claro, pois ano que vem tudo vai estar resolvido! Já terei dinheiro, carro, comida e roupa lavada; pra quê dormir? Coisa de gente besta, desocupada. São oito horas perdidas. Poderia estar estudando, ou respondendo a uma enquete de uma revista interessante, uma Você S/A da vida.
Perdi o rumo. Perdi! É tão difícil achar que não tem saída! Será! SerÁ? Será que depois que começar a trabalhar vou poder voltar a fazer o que quero? Dançar? Brincar com a criatividade??!!
Acho que trabalhando 8 horas por dia, não vou ter espaço pra criatividade… será isso falta de maturidade? Preguiça? É né…
tenho que tentar, o melhor de ter um sonho é ter um sonho, no dia que eu não tiver um, podem me enterrar.