Até quando…
…vamos usar viseiras de cavalo e coleiras de cachorro?
Hoje fui lembrado de duas presepadas da atual prefeitura de Recife. As festas animadas pela dupla Sandy e Junior e pelo DJ Fatboy Slim. É completamente absurdo, numa cidade atrasada e mal estruturada como Recife, contratar artistar por 1 milhão de reais. Ao tentar calcular os custos de oportunidade de tal desperdício, desperdiçaria anos. A infinade de melhorias que poderiam ter sido feitas são da mais alta importância. Aumentos de salário e investimentos pesados em infra-estrutura são altamente necessários. Mas, o que foi feito depois de tal desperdício? Obviamente, um agradecimento, uma congratulação. Vamos comemorar nosso governo que nos dá festa da mais alta qualidade e que se dane a nossa produção cultural, nossas bandas e movimentos artísticos.
O desprezo pelo bem público não para por aí, só para citar as grandes obras, além do famosíssimo parque Dona Lindu, temos a importantíssima obra de reforma do calçadão de Boa Viagem, que já pedia isso há anos. “Temos que concordar numa coisa, ele estava pra lá de demodê.” “Eu já não aguentava mais ver aquele calçadão, a reforma deu um novo suspiro na minha vida.” É, talvez possamos encontrar pensamentos assim dentre os usuários do calçadão. Pena que eles não frequentam escolas ou hospitais públicos, acho que eles precisam de alguns reparos também, além do mais, os médicos e professores públicos já ganham muito dinheiro, não é?
Ah que boa vista, a reforma dessa via trouxe realmente a atenção para o Centro do Recife. Ficou lindo, tudo limpinho e organizado! Uma maravilha, uma fila única de carros (se um parar, pára tudo) e uma calçada com paradas de ônibus rigorosamente seletivas, no meio da rua.
Se o povo estava sem ter o que fazer, o excelentíssimo prefeito resolveu o problema: deu trabalho, deu muito trabalho. E continua dando… resta saber quanta verba pública será gasta pra desfazer as imbecilidades que sr. Bigodes anda fazendo. Vai nas escolas, as crianças tem fardas, de repente até livros, pergunta se elas têm o que comer…
Quem tem o que comer, quer dizer, engolir, somos nós! Nós que engolimos todos esses sapos que o governo nos atola na gargante e ninguém sequer esboça regurgitar. Ficamos todos calados e voltamos a trabalhar, com certa ressaca na segunda-feira.