Esse ano… (retrospectiva de duas coisas apenas)

31 31UTC Dezembro 31UTC 2007 at 14:50 (Sem Categoria)

Esse ano foi bem intenso, a faculdade ocupou praticamente todo o meu dia diretamente e a noite indiretamente. Fiz muitas amizades, algumas perduram, outras nem por uma semana…

Se alguém me pergunta o que eu tive de bom esse ano, me lembro de apenas duas coisas. A primeira foi ter começado a fazer dança de salão, uma atividade sem preço. Posso dizer que isso mudou minha vida para melhor, e muito. Fiz muitas amizades, sai e me diverti várias vezes, foi realmente inesquecível. Dois momentos foram destaques nessa atividade, as apresentações do grupo dança que faço parte no Teatro Guararapes e no Teatro do Parque no início de dezembro. Antes de entrar pra dançar jamais me imaginei atuando no palco de um grande teatro. Bem, fora a platéia presente elogiando e aplaudindo nossa apresentação, já foram vários os elogios de pessoas que nos assistiram na internet.

Mas se alguém me perguntar o que foi mais intenso pra mim sem dúvida foi a paixão. Ao contrário de meu amigo Edson, sou réu confesso desse ato. Cometi e foi ótimo. Me a-p-a-i-x-o-n-e-i e o faria de novo se oportunidade houvesse. O alvo de meu sentimento foi e continua sendo uma pessoa muito especial na minha vida, sim ela me causou certo sofrimento, não posso negá-lo também. Mas a felicidade foi incomparavelmente maior. Nunca havia me sentido assim, pensar que uma pessoa pode me completar e que apenas ela me faria feliz. Várias foram as amizades que fiz, já conheci muitas meninas, me interessei por algumas, fiquei com poucas mas apenas uma me fez sentir completo, assim como a luz e a escuridão completam o dia. Talvez eu nunca entenda porque não deu certo, mas a esperança, ah a esperança… essa nunca morre, não gosto de extremismos e o tempo que se passou foi curto, mas continuo convicto de que se tem uma pessoa com que eu me dei bem, que tive afinidade foi ela.

Muito poderia eu falar (plagiando o mestre Iôda), mas isso aqui não é um livro de romance, é apenas um blog. Também não tenho o direito de expor a vida da outra pessoa aqui como se abre um capô e mostra as peças. Cada parágrafo pra uma coisa, esses foram os destaques desse ano em minha vida. Todo o resto foi complemento. Se possível for, lutarei para que sejam também dos próximos…

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Afinal, o que estamos fazendo vivos?

27 27UTC Dezembro 27UTC 2007 at 23:06 (Sem Categoria)

Mas uma vez o ano acabou e é com a esperança de que as coisas podem melhorar que eu continuo minha vida. Muitos podem até contrapor-me dizendo que não tenho do que reclamar, que sou hipócrita ou coisa assim, posso até estar sendo e isso pode me fazer sofrer. Algumas vezes me pergunto, o que eu quero da vida? Ou como ouvi uma amiga se perguntar “o que eu estou fazendo viva?” Essa tem sido a resposta que mais me tem dado dor de cabeça, afinal, a que vivemos?

E é com um imenso prazer que vos digo que encontrei a resposta! A tão preciosa resposta está bem aqui na minha cabeça pronta para ser digitada, vos digo também que já sabeis a resposta, pois cada um de nós nasce com um propósito especial mas todos tem algo em comum, que seja no mínimo o planeta e a espécie humana. Bem caros leitores, a resposta é que nós viemos ao mundo para fazer o que achamos que deve ser feito e para fazer o que sempre fazemos a nossas coisas, fazer com que elas tornem melhores para nós e para os outros. Fazemos isso sempre sem nos darmos conta, a maioria de nós procura manter a casa limpa e organizada a fim de manter a higiene e o bem-estar. Cultivamos nossos jardins para que nos dêem o prazer de sua aparência e seus odores, para que os outros vejam o quanto me importo com o meu lar. Por isso nós botamos nossos filhos na escola, para que consigam também sua felicidade e autonomia. E arrisco dizer que é a isso que viemos, é para tornar esse mundo melhor.

Podem chamar-me hipócrita por nunca ter feito nenhum trabalho voluntário, nem dedicar meu tempo a alguma causa nobre que me faça dispensar grandes esforços, não me importo com minha imagem, quero apenas que confiem no nexo dessas palavras que agora escrevo, e na intensidade do sentimento que tento transmitir. Quero apenas mostrar que não viemos ao mundo para mostrar o quanto somos ricos e poderosos, essas são características extremamente egoístas. Não estamos aqui para exalar beleza, entretanto devemos cultivar em nós a elegância, aquela que expressada ao demonstrar respeito ao próximo, aquela que nada tem a ver com etiqueta. Dane-se as etiquetas. Como podemos ter vários pares de talheres e copos de diversos tipos apenas para uma pessoa demonstrar seus falsos dotes de elegância enquanto temos irmãos que se alimentam de nossos restos como os animais mais selvagens? Até uma esponja (que o diga o BOB) saberia dar mais valor aos seus pares do que essa infeliz espécie a qual pertencemos.

Costumo dizer que estou em crise e entendo isso danoso no momento em que tenho que traçar objetivos e apresentar resultados. Porém posso ver isso como uma consequência do meu profundo inacabamento e como um processo que tende a me fazer refletir e consequentemente construir opiniões mais elaboradas e firmes.

Seria muito comodo desejar feliz ano novo, mas isso todo mundo faz e portanto é passível de ser objeto de repetição, sem envolver reflexões, ou a própria vontade. Diz-se da boca pra fora como tantos “eu te amo” que pode-se ver.

Pode-se dizer que meu coração e minha mente são dois profundos e confusos poços, cheios de uma coisa que não se sabe o que é, mas que está em constante construção, sem mudanças abrutas, mas com certa instabilidade devidas as coisas apreendidas e adotadas.

Por vezes temo estar predestinado a viver na solidão, sim caros leitores, não é piada, isso é um medo que sinto há tempos e que talvez eu mesmo está criando está realidade ao aceitar essa premissa por verdadeira. Mas acredito que se esse for o meu destino, terei que enfrentar pois atrás dele terá um grande argumento. Inúmeras vezes caí em si, fazendo o que não queria, ou o que com certeza não me dava prazer, fazendo apenas porque de certa forma a sociedade me informou e aquilo seria a melhor coisa a se fazer. Isso engloba algumas festas, alguns relacionamentos e outros acontecimentos que foram necessários ao meu aprendizado.

Hoje, apesar de ser tão humano quanto qualquer um de vós, procuro não cair em tentações indevidas, em não fazer algo apenas pela carne, apesar de que fazê-lo em certos momentos nos causa um tremendo alívio. Não me refiro apenas ao sexo, há centenas de coisas que nos desopilam como jogar conversa fora e rir, como jogar futebol num domingo pela manhã ou como cantar um brega desses sem pé nem cabeça. Algumas dessas de uma nobreza tal que no alto de um pedestal, os falsos intelectuais não conseguem ver.

Com a chegada do novo ano, quero renovar minhas idéias, inovar em meus conceitos, esquecer as mágoas, esquecer também os magoadores. Resgatar meu valor.

Bem amigos, vejo que bato recordes a cada publicação, espero que aos poucos se aventuram em ter chegado até aqui que reflitam sobre suas vidas e que tenham um ótimo 2008.

São os mais sinceros votos da equipe do Papo de Butequim.

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Sou Visto Logo Existo (Que Descartes Me perdoe a parafrase)

24 24UTC Dezembro 24UTC 2007 at 16:58 (Sem Categoria)

Quando Orwell escreveu 1894, tínhamos quem olhasse por nós. A guerra fria disputava cada centímetro da terra para sua visão de mundo, éramos como filhos de pais separados que discutem para ver quem manda mais. Ele previu que a continuação do totalitarismo sob a forma tecnológica do olho que tudo vê: “o grande irmão”. Antes era Deus, para Orwell era uma televisão. Hoje estamos sós.

Hoje somos muitos visados, porém só na condição de consumidores universais. Interessada no bolso e não na alma, a propaganda seduz, mas não julga. Em última instância, ninguém, seja divindade, potência ou multinacional, parece interessar-se pelo destino de cada um. Foi aí que começamos a instalar câmeras que transmitem via internet (estrangeirismos…) imagens toscas de lares e pessoas chatas. Blogs, ou seja, diários on-line (argh!), oferecem notícias pueris. Reality shows (mas que droga! Até quando vamos adaptar palavras estrangeiras em nossa língua?) criam situações e lugares que podem ser acompanhados ao vivo pela televisão.

De tanto em tanto, surgem preocupações com a invasão na privacidade de telefones e correspondência, supondo que a intimidade de cada um seria objeto de espionagem, seja comercial, seja política. Por que somos tão ciosos de uma intimidade que temos compulsão de expor, compartilhar e profanar?

Não dispondo de grandes transcendências, cabe aproveitar a temporada sobre a terra, porque a continuação é incerta. Hoje precisamos ser apreciados individualmente e dentro do prazo de validade. É preciso ser visto par ser lembrado, existir. George Orwell deve estar se revirando em seu túmulo ao perceber que a personagem de sua obra virou sinônimo de entretenimento de gosto duvidoso.

Sem fé nem esperança, restou o cotidiano. É uma pena que estejamos reduzidos a um registro tão infantil, interessados de maneira tão destemperada em assuntos tão domésticos. O big brother (quanta ignorância!), assim como seus similares, são uma big mother (ih! Força do vício), a única a quem importa a higiene, a alimentação e as banalidades de cada um.Nem a visão apocalíptica de Orwell supôs que iniciaríamos um milênio tão desamparados e carentes.

Emílio Eduardo Morais de Moura

* Excelente texto de um grande amigo meu Emilio!

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